segunda-feira, 16 de julho de 2007

Os 8 melhores álbuns do ano

O Chupando Limão tem seu retorno triunfal. pffff. E como este que vos escreve tem total adoração por listas (e complexo de Nick Hornby), aproveito que já passamos da metade do ano (eu sei, o tempo passa e a gente nem sente) para listar os 8 álbuns essenciais até o presente momento. Como toda lista, esta é sucessiva a erros e injustiças. Mas temos mais seis meses para consertar. Ah! antes que se perguntem: Por que oito? Porque oito deitado é o infinito. Vamos lá?


8- The Shins “Wincing the Night Away”: The Shins é o tipo de banda que ora cometem a canção que muda sua vida e ora podem ser chatos pra caralho. Mas sempre produzem cds acima da média. Em Wincing the Night Away, o terceiro disco, eles deixaram um pouco de lado as composições chatas e nos presentearam com letras reflexivas e melodias para se dançar coberto com lençóis em dias chuvosos. Ouça Australia e Sea Legs (dona de uma levada funk irresistível) e tente manter-se parado.


7- Feist “The Reminder”: No primeiro cd, lançado pela Arts & Crafts, (selo que prega a promiscuidade musical entre os artistas de seu casting, com os membros das bandas colaborando umas com as outras) a artista canadense começava a chamar atenção. A voz doce, semi-rouca, oscilava entre canções acústicas e outras com roupagem eletrônica. Para o segundo disco veio o convite da Interscope e a oportunidade de um público maior. Não que The Reminder vá tocar a pá nas rádios (alguém aí ainda ouve rádios?) ou ficará na lista de mais vendidos (alguém aí ainda compra cds?). É a oportunidade, por exemplo, de que seu cd seja prensado no Brasil. E, quem sabe, vá parar na trilha-sonora de alguma novela. Acredite, a garota tem punch para isso. The Reminder abre com So Sorry e sua levada bossa nova, que cai bem na trilha internacional de uma novela do Manoel Carlos. Aí vem I Feel it All e My Moon, My Man, que cabem naquelas trilhas mais descoladas de novelas das sete, por onde já passaram The Hives e Caesars Palace. E o disco prossegue, com suas letras em tons confessionais, tipo Cat Power. Um trabalho promissor que a fez ser apontada como uma das 10 apostas internacionais da revista Rolling Stone.


6- The New Pornographers “Challengers”: Qualquer banda que tem entre os membros A.C. Newman, Neko Case e Dan “Destroyer” Bejar, tem como obrigação produzir cds no mínimo geniais. Acredite, eles não desapontam. Challengers é o quarto cd do TNP, e só terá seu lançamento oficial no dia 21 de agosto, mas já está na internet para quem possa interessar. O disco parece até um the Best of. É balada atrás de balada. Não há como resistir a Canções (com c maiúsculo) como My Right Versus Yours, Myriad Harbour, Unguided, Go Places (esta cantada pela diva folk Neko Case) ou The Spirit of Giving. Belas letras + instrumental impecável + harmonias vocais + Neko Case + Melodias encantadoras= Perfeição. Ressalva: a capa do disco é horrível!


5- !!! “Myth Takes”: Se as bandas atuais, ao invés de promoverem uma ejaculação precoce dos anos 80, fossem mais envolventes e se preocupassem mais com as preliminares, todas soariam como o !!! (pronuncia-se chk chk chk ou qualquer outra onomatopéia repetida três vezes). O grupo nova-iorquino lançou este ano o terceiro cd, Myth Takes. O álbum é um passo adiante na revitalização da cena dance punk (ou punk funk). Começa com três canções que são tiros certeiros numa pista de dança: Myth Takes, All my Heroes are Weirdos e Must be the Moon. E a energia disparada pelas três primeiras canções, não são fogo de palha. Todo o resto do cd despeja o mesmo nível de adrenalina, raiva e exuberância. Poucos artistas atuais ainda conseguem exprimir o desespero com tamanha desenvoltura como o !!!.


4- The Apples in Stereo “New Magnetic Wonder”: O sexto álbum do Apples in Stereo é toda a fonte de energia e alegria que o mundo precisa. Hahahahah. A frase brega é para fazer jus ao conteúdo otimista do disco, onde não há espaço para cinismo ou outras coisas que corrompem o coração do homem (prometo que parei com as frases bregas). O grupo que surgiu do coletivo Elephant 6 dá continuidade a sua carreira depois de um hiato de cinco anos, com uma obra onde eles abrem mão das experimentações psicodélicas. Agora, só há espaço para temas solares que fariam Brian Wilson abrir um sorriso de ponta a ponta do rosto. Poucos discos recentes conseguiram tangenciar o pop com tamanha pureza. É hit atrás de hit, hora permeados por jingles que variam de 0:15 à 0:48 segundos. De manhã, quando você acorda e vai tomar seu café matinal, ao abrir seu pote de manteiga, como se ela fosse uma caixinha de jóias, Energy seria a canção perfeita para tocar... “And the world is made of energy, and the world is possibility, and the world is made of energy, and there's a light inside of you, and there's a light inside of me.”


3- Of Montreal “Hissing Fauna, Are You the Destroyer?”: Mais uma banda que também teve passagem pelo Elefant 6, o of Montreal é a banda contemporânea que mais entende do que é feito o rock: muita, mas muita afetação! Esqueça Scissor Sisters. Kevin Barnes (vocalista e guitarrista do of Montreal, não o ex-esposo da Britney) é a reencarnação de Marc Bolan. Hissing Fauna, Are You the Destroyer? é provavelmente o ápice da carreira do grupo. Já na primeira canção, Suffer Fashion, somos invadidos por uma vontade incontrolável de sair pulando pelo quarto. As letras confessionais tornam-se hinos daqueles de você sair gritando para sua mãe, professor, namorado ou ex-namorado. Aí, não satisfeitos, na sétima música do disco, eles quebram todas as regras da cartilha da pop music e jogam uma canção de onze minutos, sem refrão e com um nome genial – The Past is a Grotesque Animal. O jogo já está ganho. Mas ainda não satisfeitos, logo após The Past is a Grotesque Animal, vem Bunnie Ain’t No Kind of Rider, que desde já, tem o melhor refrão do ano: Eva, I’m sorry/ But you will never have me/ to me you’re just some faggy girl/ and i need a lover with soul power/ and you ain’t got no soul power. Tudo embalado por muita soul power, plumas e paetês. Hissing Fauna, Are you the Destroyer? só não é o melhor cd do ano (ainda) porque Lcd Soundsystem e Arcade Fire cometeram dois álbuns incríveis. Se você quer ver o vocalista do of Montreal nu em pêlo numa apresentação proibida para menores de 21 ano em Las Vegas, clique aqui. Repito: ele está pelado.



Para as duas primeiras colocações, um grande problema. Dois discos geniais, de dois dos principais artistas da primeira década do século XXI. Como não sou a favor de empates, vou destinar posições no pódio a cada um. Mas esta é a opinião do presente momento. Até o fim do ano, eles podem inverter a colocação ou o of Montreal pode roubar a primeira posição. Fora que ainda teremos mais artistas lançando discos, entre eles, o The Go! Team, que é uma das bandas favoritas daqui do Chupando Limão. E a segunda posição vai para ------->



2- The Arcade Fire “Neon Bible”: A música digital dividiu os amantes de música em dois pólos. De um lado, os favoráveis alegam que, graças ao compartilhamento digital, nunca se ouviu tanta música, sejam em MP3’s players, celulares ou no próprio PC. Outro fator benéfico é a facilidade para se conseguir música. Burlamos as gravadoras e seu atraso para lançamentos (Dos discos citados nesta lista, apenas Neon Bible e The Reminder da Feist tiveram edição nacional até o presente momento). No pólo dos contrários corre a teoria de que, graças ao MP3, passamos a degustar música de maneira superficial. A quantidade anti a qualidade. No meio disso tudo, há o Arcade Fire. A banda sabe que, hoje, este papo de encarte e álbum conceitual não faz o menor sentido, pelos motivos citados no parágrafo anterior. Mas eles não estão nem aí para isso. Por isso mesmo, é quem melhor consegue sintetizar os tempos loucos em que vivemos. Entendem muito bem do tratado: de como shows de rock são a coisa mais over da atualidade, que não temos mais ídolos e que música nunca teve um viés tão descartável. Porém, reforço: Eles não estão nem aí para isso. Sorte a nossa, pois assim, um disco tão completo e visceral quanto Neon Bible chega à luz (neon?). O disco é permeado por uma aflição. Aflição por não saber onde as bombas vão cair (Black Mirror) ou porque todas as noites os sonhos são os mesmos (Keep the Car Running). Logo surge um convite de fuga, seja para não morar mais na casa dos pais (Windowsill), seja para ir a um lugar onde aviões, carros ou metrôs não conseguem ir (No Cars Go). Mas em seguida, a última canção do cd esparrama toda esperança pelo chão, pois My Body is a Cage. Mas eles alertam no último estrofe da música “You're still next to me/ My mind holds the key/ Set my spirit free/ Set my body free”.


1- Lcd Soundsystem “Sound of Silver”: O primeiro cd, homônimo, era apenas uma compilação de singles antes lançados com algumas canções inéditas. E assim, sacudiu todas as pistas de dança mundo a fora. O segundo cd seria sua prova de fogo. Eu disse seria. Porque uma coisa são as bandas hype inglesas. Outra coisa bem diferente é falar de um grupo que tem como front-leader James Murphy, a figura mais descolada da música atual. Sound of Silver, o segundo cd, pode até desapontar alguns por não ter nenhum hit certeiro para pistas de dança, como Daft Punk is Playing at my House ou Tribulations os foram no cd anterior. Porém, tal constatação é fruto de análise ligeira e preguiçosa. Sound of Silver é o grande momento da música neste ano. As canções são de um vigor assustador. Disco, punk, funk e fúria se uniram para produzir nove canções em um cd que se fecha como obra (lembram da discussão sobre música digital?). Canções que não pretendem estar em pistas de dança (Get Innocuous), canções que fingem não quererem estar numa pista de dança (Time to Get Away), canções que não negam que sempre estarão numa pista de dança (Someone Great), canções que são tão boas que nunca estarão numa pista de dança (Us v Them e Sound of Silver) ou canções para depois da pista de dança (All My Friends, que aliás, recebeu um cover do Franz Ferdinand e, pasmem, ficou melhor que a original). Para James Murphy, o mundo poderia se restringir a uma pista de dança. Pra mim também.


Para ver o clipe do Franz Ferdinand para All My Friends, clique aqui. O clipe é dirigido por Anna McCarthy, irmã do Nick, e não pelo David Lynch.

3 comentários:

Gustavo Henrique disse...

Nossa o ano ainda nem acabou vc já está revelando suas listas ... Tudo bem que adoro listas... Boas escolhas mas no pódio mudaria o segundo pelo primeiro... Vamos esperar.. Eu vou postar a minha lista no final do anos dos 50 melhores... Abraço

Anônimo disse...

Adorei a lista e o blog.Só não gosto muito da Feist. É bom te ver na ativa. Boa viagem e saiba que já estou com saudades. Beijos
Michelle Horovits

Anônimo disse...

Chico, o que o !!! tá fazendo nesta lista de melhores do ano?