sexta-feira, 27 de julho de 2007

Buenos Aires, muito menos de vinte e quatro horas...

Dia pré-viagem apreensivo. Tudo começou às seis da manhã. Abri os olhos e meu irmão estava se arrumando para ir a escola. Eu pergunto para ele:
- que horas são?
- Seis e meia da manhã.
- CARALHO! EU DEVIA ESTAR NO AEROPORTO FAZENDO CHECK-IN.
- Relaxa burro. É só amanhã sua viagem.

...


Com a ajuda do meu irmão, caí na real e percebi que eu também devia me arrumar para a faculdade. Último dia antes da viagem. Procedimentos normais: Banho, café, roupa, ler as primeiras notícias do dia e ouvir algumas canções para começar bem o dia (prática diária: normalmente são três boas canções para ajudar a acordar e encarar o que vem pela frente. As escolhidas de hoje foram TV on the Radio com A Method e duas da Neko Case: Star Witness e That Teenage Feeling). Dirige-me para a parada. O primeiro ônibus com destino pra Católica passou vazio e não parou para mim. Logo em seguida, veio um que não cabia nem refugiado da África Subsaariana. Dei a mão esperando que o motorista passasse direto. Ele Parou. Quando abriu a porta, uma senhora semi-pindurada quase caiu sobre mim. As pessoas todas sem respirar, fizeram aquela cara de quem odeia seres que moram no último ponto. Eu desfarcei e entrei. Fiquei espremido na porta. Dez minutos depois, começa a sair uma fumaça debaixo de mim. A fumaça cheirava a puro óleo de motor de caminhão. Olhei para um senhor do meu lado e disse:
- Tá fumaçando bastante aqui, hein?
Ele só arqueou as sombrancelhas como quem diz - E daí?

...


Após cinco horas de aula, fui correr atrás dos dólares que até então não havia comprado. Sim, como todo bom brasileiro, deixo tudo para última hora.
Primeiro uma lotação para o centro de Taguatinga. Saco o dinheiro em Real. Depois um metrô para o Setor Bancário Sul. Destino: Prédio Central do Banco do Brasil. Chego exatamente às 14:28. Uma hora de espera para ser atendido. Dou boa tarde e a moça pergunta qual era meu interesse. Digo "Câmbio". Ela fez uma cara que parecia que eu tinha soltado um peido alto na frente dela. E segue o diálogo:
- O senhor é correntista?
- Não.
- Para quem não tem conta só vendemos traverllers Check.
- Não há como conseguir dólar?
- Tentarei para o senhor.
Vira-se para um rapaz logo atrás dela e faz o pedido. Ele aprova. Eu fico momentaneamente feliz. Eu e a moça sorrimos um para o outro. Ela diz quanto fica a quantia que eu queria. Aí vem a pergunta:
- Você está com sua passagem aí?
- Não. Por quê?
- Só vendemos se estiver com as passagens.
- Mas eu comprei via internet. Não imprimi nenhum comprovante.
- Desculpe, mas só podemos vender com as passagens.
- Mas Por que?
- Depois dos escândalos de dólar na cueca, estas são as regras por aqui. Eu sei que é ridículo isso, mas eles querem uma justificativa para a moeda estrangeira que sai aqui da instituição. E se eu tivesse acesso a internet, eu imprimiria para o senhor.
Isso já faltava 20 minutos para a agência fechar. Seria semi-impossível eu conseguir encontrar uma lan-house no setor bancário para imprimir a maldita passagem a tempo. E sem dólares de ante-mão, a viagem ia começar de maneira bem melada.
- Mas existem algumas casas de câmbio aqui próximas onde o senhor pode comprar.
- Onde? (Quase dou um pulo em cima dela).
- Tem uma no Pátio Brasil e outra no Brasília Shopping.
- Tchau e obrigado!
Saio em disparada, como se minha vida dependesse disso. E talvez dependesse.
Subo o setor bancário sul, setor comercial sul, chego a W3 e, enfim, ao Pátio Brasil.
Pergunto para um segurança se ele sabia onde ficava o Credence. Ele não conhecia nenhuma Credence. Argumento que é uma casa de câmbio. Ainda assim ele não conhece. Passa um rádio e pede ajuda para um colega dele. Vejo o rapaz do outro lado do rádio indicar o local. O segurança a quem eu havia pedido a informação me diz que é no primeiro piso na saída oposta ao lado que estávamos. O nome da casa de câmbio era Confidence.
E qual não foi minha surpresa ao descobrir que seria mais econômico comprar dólares lá! Economia pouca, mas de extrema importância para uma pessoa em vias de sua primeira viagem internacional. Tudo resolvido. Agora deêm me licença, pois ainda tenho que dar os últimos retoques na mala.

...


No próximo post, já escreverei direto de Buenos Aires.

...


OU IÉS!

Um comentário:

Anônimo disse...

Aahahahahhahahah...

Só observando!